A estreia da segunda temporada de “Round 6” (“Squid Game”) em 26 de dezembro de 2024 trouxe uma nova perspectiva sobre a natureza humana, aprofundando temas já explorados na primeira temporada e introduzindo novas camadas de complexidade. Com a redução de nove para sete episódios, o criador Hwang Dong-hyuk optou por uma narrativa mais concisa, focando em um ponto de virada crucial que prepara o terreno para a terceira temporada.
A Desumanização e a Linguagem Animalística
Desde o início da segunda temporada, observa-se uma tendência dos personagens em comparar uns aos outros com animais. Seong Gi-hun, o protagonista, recusa-se a ser tratado como um “cavalo de apostas” e refere-se ao recrutador como “cachorro”, enquanto o Chefe (Front Man) é chamado de “rato”. Essa escolha linguística desumaniza os participantes, intensificando o horror dos jogos e sugerindo que, sob pressão extrema, os seres humanos podem regredir a instintos primitivos.
Culpa e Busca por Redenção
Gi-hun enfrenta pesadelos nos quais o Chefe aparece com as cabeças decepadas de Sang-woo e Sae-byeok, questionando o que ele realmente está “procurando”. Esses sonhos refletem o conflito interno de Gi-hun entre o desejo de acabar com os jogos e a culpa pelas mortes de seus amigos. Sua estadia no Pink Hotel, uma referência aos guardas de uniforme rosa, sugere que ele ainda está preso em um ciclo de violência e arrependimento, incapaz de se libertar completamente do trauma vivido.
A Ilusão da Escolha e a Moralidade Distorcida
A parceria de Gi-hun com a Sunshine Capital, os agiotas que anteriormente o perseguiam, adiciona uma camada de complexidade moral à narrativa. Em uma cena emblemática, o recrutador oferece a escolha entre um bilhete de loteria e um pedaço de pão, simbolizando como atos de “caridade” podem, na verdade, explorar a vulnerabilidade alheia. A lógica distorcida do recrutador, que se exime de responsabilidade pelas consequências de suas ações, reflete uma crítica à sociedade que frequentemente culpa os indivíduos por suas próprias desgraças, ignorando fatores sistêmicos.
A Ineficácia da Violência Contra o Sistema
A frase do Chefe — “Você acha que pode parar o jogo com uma pistola?” — introduz um tema central da segunda temporada: a ineficácia da violência como meio de combater um sistema opressor. Essa questão é ecoada por In-ho, que questiona como lutar contra aqueles que detêm o poder e as armas. A série sugere que mudanças estruturais exigem mais do que ações violentas; demandam estratégias que desafiem as bases do sistema estabelecido.
Outros Diálogos Significativos e Prenúncios
Diversos diálogos ao longo da temporada fornecem insights sobre a condição humana e as estruturas sociais:
- San-nyeo afirma: “Você não está aqui por vontade própria”, destacando a falta de escolha real dentro do sistema dos jogos.
- Im Jeong-dae comenta: “Eles não emprestam esse tipo de dinheiro para qualquer um”, ironizando a crença na meritocracia e a busca por status através da dívida.
- Lee Myung-gi diz: “‘Você é responsável pela decisão final do seu investimento’. Você não me ouviu dizer isso no final? Você disse que assistia todo dia”, criticando influenciadores digitais que se isentam da responsabilidade por golpes financeiros.
Essas falas enriquecem a narrativa, oferecendo críticas sutis às dinâmicas sociais e econômicas contemporâneas.
Conclusão
A segunda temporada de “Round 6” aprofunda sua exploração da natureza humana, utilizando os jogos mortais como uma metáfora para as pressões e corrupções da sociedade moderna. Ao reduzir o número de episódios, Hwang Dong-hyuk entrega uma narrativa mais focada, preparando o terreno para a conclusão na terceira temporada. A série continua a provocar reflexões sobre moralidade, escolha e a capacidade humana para o bem e o mal, solidificando seu lugar como uma das obras mais impactantes da televisão contemporânea.
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