Um retorno muito aguardado
Após quase três anos de espera, Wandinha voltou à Netflix em 6 de agosto de 2025 com a Parte 1 da 2ª temporada. Foram quatro episódios (201–204) que reacenderam o fenômeno iniciado em 2022, quando a série se consolidou como a produção em inglês mais assistida da plataforma. Com Tim Burton, Alfred Gough e Miles Millar de volta, o público esperava uma evolução natural: mais mistério, mais sarcasmo, mais cenas sombrias que contrastam com o humor ácido de Wandinha Addams.
Mas será que a série correspondeu às expectativas? A crítica internacional se dividiu. Aqui, analiso os principais pontos levantados por especialistas e ofereço minha própria visão sobre os acertos e deslizes dessa primeira metade.
O que funcionou — elogios unânimes
1. Jenna Ortega ainda é a alma da série
Não há como negar: a atuação de Jenna Ortega continua sendo o coração pulsante da trama. Críticos do Polygon e The Guardian ressaltaram que a atriz entrega uma performance mais madura, equilibrando o cinismo característico da personagem com momentos de vulnerabilidade. Wandinha, antes quase impenetrável, agora se mostra mais complexa e multifacetada — e isso é visto como um dos grandes trunfos narrativos.
2. Estética gótica aprimorada
Se na primeira temporada a direção de arte já encantava, a Parte 1 da segunda leva isso a outro patamar. A Escola Nunca Mais ganha novos ambientes, e a fotografia brinca mais com contrastes entre luz e sombra. O Times chegou a classificar a estética como “deliciosamente mórbida”, destacando que cada cena parece um quadro pronto para ser printado e compartilhado.
3. A expansão do elenco
A chegada de nomes como Steve Buscemi e Billie Piper foi celebrada por veículos como a Time Magazine. Buscemi, em especial, recebeu elogios por trazer um contraponto excêntrico e melancólico que complementa a atmosfera gótica da série. Essa diversidade de atuações mantém a narrativa fresca e evita que a trama caia na repetição.
Os pontos fracos — críticas contundentes
1. Trama repetitiva
Parte da crítica, incluindo o Tangerina no Brasil e a Variety nos EUA, apontou que a nova temporada, embora visualmente impressionante, sofre de repetição temática. Os mistérios sobrenaturais lembram demais os da primeira temporada, o que gera a sensação de déjà vu. A fórmula “novo inimigo, novo segredo, nova conspiração dentro da escola” começa a mostrar desgaste.
2. Ritmo desigual
Outro ponto citado pela crítica é o ritmo. O primeiro episódio é impactante, mas os dois seguintes arrastam-se em excesso, com longas sequências de investigação que pouco acrescentam. Apenas o quarto episódio retoma a intensidade. O Screen Rant escreveu que “a Parte 1 parece se perder na própria atmosfera, em vez de avançar com propósito”.
3. Excesso de fan service
Se a 1ª temporada foi criticada por equilibrar mal nostalgia e inovação, a Parte 1 da 2ª temporada parece dobrar a aposta no fan service. As participações especiais (como o breve cameo de Heather Matarazzo e referências visuais a A Família Addams clássica) agradaram alguns, mas para outros soaram artificiais. O Rolling Stone avaliou que esses elementos interrompem o fluxo narrativo e parecem mais “caça-cliques” do que ferramentas narrativas orgânicas.
A dualidade da recepção crítica
Em resumo, os críticos se dividiram:
- Elogios: estética gótica, atuações (principalmente de Jenna Ortega e Steve Buscemi), atmosfera sombria e figurinos.
- Críticas: trama repetitiva, ritmo inconsistente, excesso de referências e fan service.
No Rotten Tomatoes, a Parte 1 acumula 78% de aprovação, contra os 88% da 1ª temporada. A diferença mostra que, embora continue sendo uma série amada, o frescor inicial deu lugar a um olhar mais exigente do público e da imprensa.
Minha visão opinativa
Concordo com os críticos que apontam a repetição como um problema. Senti que a narrativa, em certos momentos, parece refém do próprio sucesso da 1ª temporada — como se os roteiristas tivessem medo de inovar e, ao mesmo tempo, não quisessem perder o DNA original.
No entanto, defendo que essa Parte 1 foi mais uma “construção de cenário” do que uma temporada em si. A Netflix apostou em dividir os episódios justamente para criar um crescendo, e é possível que a Parte 2 (estreia em 3 de setembro de 2025, com participações de Lady Gaga e Frances O’Connor) entregue as viradas que faltaram.
Outro ponto em que discordo de algumas críticas é sobre o fan service. Para mim, essas piscadelas para o público são parte do charme da série. Afinal, Wandinha nasceu de uma franquia de décadas, e recusar as referências seria ignorar sua própria origem.
Por que ainda vale assistir?
Mesmo com os deslizes, Wandinha continua sendo um marco cultural. Poucas séries conseguem unir nostalgia, estética gótica e viralidade em redes sociais com tanta maestria. Jenna Ortega segue magnética, e a promessa de novas reviravoltas na Parte 2 mantém o público ansioso.
Se você é fã da personagem, vai encontrar nesta temporada momentos de puro deleite visual e interpretações dignas de destaque. Se é crítico, terá material de sobra para debater o futuro da série. E se ainda não assistiu, prepare-se: Wandinha continua sendo aquele convite irresistível ao sombrio com uma pitada de humor ácido.
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