Quando abrimos a tela da Netflix e somos apresentados a Nos Seus Sonhos, há algo de imediatamente convidativo: o título evoca mistério, magia e aquilo que todos nós — em maior ou menor grau — desejamos: um lar, uma família, pertencimento. A história, que coloca dois irmãos numa jornada pelo mundo onírico até o encontro com o lendário Sandman, parece infantil à primeira vista — mas, ao longo de seus cerca de 1h30 de duração, revela camadas que falam com adultos, e com quem já sentiu que “algo não estava certo” no núcleo familiar.
Contexto e sinopse
No filme, vemos a irmã mais velha, Stevie, e seu irmão mais novo, Elliot, descobrirem que seus pais vivem em crise — ou, pelo menos, que a união da família idealizada por eles não é o que parece. Então, resolvem penetrar no mundo dos sonhos para achar Sandman, que, segundo a lenda, pode conceder o desejo de ter uma família perfeita. No caminho, enfrentam desafios absurdos: uma girafa de pelúcia malvada, café da manhã que vira zumbis, a rainha dos pesadelos e todo um universo surreal que mistura humor, fantasia e temor. Terra
A direção de Alex Woo (que tinha trabalhado como storyboard artist na Pixar) marca a estreia em longa-metragem, o que se traduz numa estética de aventura visualmente bem resolvida e em uma narrativa que tenta equilibrar o fantástico com o emocional. Omelete
O que o filme propõe além da fantasia
Muitas animações — especialmente dirigidas ao público infantil — se contentam em entregar o óbvio: “cultive seus sonhos”, “acredite em magia”. Nos Seus Sonhos faz algo mais interessante: reconhece que a “família perfeita” pode ser uma ilusão, mas que a fraternidade, a solidariedade entre irmãos e o enfrentamento dos medos são reais. Como o próprio diretor comenta, “minha experiência diz que a melhor maneira de navegar por esse tipo de bagunça é encontrando pessoas que você ama e passando por isso com elas”. Omelete
Esse tom de “nada será perfeito, mas juntos podemos tentar” ressoa de forma agradável. Por exemplo, a personagem Stevie parte numa missão de “consertar tudo” sozinha — um desejo que muitos de nós já tivemos — e aos poucos percebe que o problema não está apenas no “externo”, mas no relacionamento, nos sentimentos, nos vínculos. A fantasia vira metáfora: girafas de pelúcia malvadas, zumbis no café da manhã, tudo isso representa os pesadelos interiores que vemos quando dormimos — ou quando estamos acordados.
Por que esse filme merece ser assistido
1. Aventura para todas as idades: Sim, o filme é de animação e claramente voltado também para crianças. Mas o roteiro não sub‐estima o público adulto. Ele convida a refletir sobre a estrutura familiar, sobre o que significa “lar”, e sobre o que fazer quando aquele ideal que criamos não se sustenta.
2. Visual e narrativa criativa: A proposta de entrar no mundo dos sonhos permite sequências visuais inusitadas, imaginativas — o que dá ao espectador a sensação de “viajar” realmente com os irmãos Stevie e Elliot. Mesmo que a premissa fosse simples, o resultado é visualmente interessante e emocionalmente tocante.
3. Temática universal: A ideia de querer uma “família perfeita” é algo com que muitos se identificam — ou já se identificaram — em algum momento da vida. O filme oferece uma maneira de ver que talvez o “perfeito” seja menos importante do que o “junto”. Essa mudança de perspectiva vale a pena.
4. Um convite à conversa: Depois de assistir, é quase inevitável querer comentar: e se Sandman não existisse? E se o verdadeiro desejo fosse aceitar a imperfeição? Como definir “família perfeita”? E, mais importante: quem somos nós nessa dinâmica? Um filme que planta perguntas assim merece ser visto e discutido.
Qual a mágica em compartilhar essa experiência no site Tá Pipocando
Para quem lê no Tá Pipocando, que gosta de descobrir filmes novas, opinar, comentar, esse é o tipo de obra que rende boas conversas. Por que não um post interativo perguntando: “Qual foi o seu ‘pesadelo’ infantil que você enfrentou — ou gostaria de enfrentar — e como ele se compara ao mundo de Stevie e Elliot?” Ou ainda “Você acredita que uma família perfeita existe — ou que ela está em construção?”
A proposta de engajamento está lá: o filme entrega um conteúdo leve, divertido, mas com sustância suficiente para motivar comentários nas redes sociais, conversas com amigos, debates sobre animação adulta vs. infantil, e reflexões sobre o valor real dos sonhos — e de quem está ao nosso lado enquanto sonhamos.
Possíveis ressalvas (e por que não são impeditivas)
Naturalmente, nem tudo é perfeito. Algumas críticas apontam que o filme segue estrutura bastante previsível de “jornada + inimigo + realização”. Mas acredito que isso não é um defeito grave aqui — a familiaridade da estrutura ajuda a nos conectar imediatamente, e o que realmente conta é como os personagens lidam com os conflitos. Além disso, a transição entre humor leve e emoção mais profunda poderia, em alguns momentos, ser mais suave. Mesmo assim, o balanço global faz valer o tempo investido.
Conclusão
Se você busca um filme para assistir no catálogo da Netflix, Nos Seus Sonhos é uma excelente escolha: diverte, emociona, e convida à reflexão. Se você tem irmãos — ou lembra de quando era criança e acreditava que podia “consertar tudo” — vai se ver refletido em Stevie e Elliot. Se já viveu a sensação de que “algo está faltando” ou que “essa família que temos pode ser mais do que simplesmente conviver sob o mesmo teto”, o filme fala com você. E se você quiser uma animação que vai além do entretenimento imediato e ainda rende boa conversa pós-créditos, aqui está.
Então: que tal apertar “play” agora, assistir Nos Seus Sonhos, e depois vir aqui no Tá Pipocando comentar sua parte favorita? Qual foi o momento que mais mexeu com você? Qual obstáculo dos sonhos você enfrentaria — ou já enfrentou? A sessão está aberta.
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