Do Palácio à Cozinha Moderna: O Choque de Épocas em “Bon Appétit, Vossa Majestade”

A premissa de “Bon Appétit, Vossa Majestade” é tão deliciosa quanto seus pratos: o que acontece quando uma chef de cozinha do século XXI é transportada para a rígida e tradicional Dinastia Joseon? A série da Netflix explora essa ideia com maestria, transformando o choque de épocas no motor de toda a narrativa, gerando momentos de pura comédia, drama e, claro, um romance inesperado.

A protagonista, Yeon Ji Yeong, é a personificação do mundo moderno: destemida, independente e com uma paixão avassaladora pela culinária. Ela se comunica de forma direta, veste o que quer e acredita que o trabalho e o talento superam qualquer barreira social. De repente, ela se vê em um mundo onde o seu lugar na sociedade é determinado por seu status, onde o vestuário é formal e a linguagem é cheia de formalidades. O Rei Lee Heon, por sua vez, é o símbolo de seu tempo, um monarca acostumado à obediência e à tradição. A colisão desses dois mundos é o ponto de partida de uma jornada hilária e emocionante.

Choque de Linguagem e Comportamento

Uma das fontes mais ricas de humor na série é o contraste na linguagem. A chef Ji Yeong, com seu jeito informal e sua gíria moderna, precisa se esforçar para se comunicar com a corte, que utiliza uma linguagem formal e hierárquica. As situações cômicas surgem quando ela, sem querer, usa expressões inadequadas para a época, deixando a todos chocados ou confusos. Por outro lado, a forma como os nobres e conselheiros se comportam de maneira rígida e protocolar contrasta com o jeito despojado da chef, gerando uma série de mal-entendidos que são a cereja do bolo da comédia.

Além da linguagem, o comportamento também é um ponto de conflito. A chef Ji Yeong, que cresceu com a liberdade de expressão, não tem medo de confrontar o rei, de questionar ordens e de defender suas ideias. Essa atitude, que seria normal em seu tempo, é chocante e perigosa na era Joseon, onde a desobediência a um monarca pode ter consequências fatais. O Rei Lee Heon, no entanto, em vez de se ofender, se sente intrigado. Ele nunca conheceu alguém tão audacioso e honesto, e a ousadia da chef se torna a característica que mais o atrai.

A Revolução na Cozinha Real

O maior choque de épocas, no entanto, acontece na cozinha. A chef Ji Yeong, com seus conhecimentos modernos de higiene, nutrição e técnicas culinárias, revoluciona completamente a cozinha real. Ela introduz novos sabores, temperos e métodos de preparo que são completamente desconhecidos para os cozinheiros da corte.

A culinária se torna a ponte entre o passado e o presente. Através de seus pratos, a chef Ji Yeong não apenas alimenta o rei, mas também o educa sobre um mundo diferente. Ela mostra a ele que a comida pode ser uma experiência sensorial, que a apresentação é tão importante quanto o sabor e que a paixão por um ofício é uma das maiores virtudes. O Rei Lee Heon, que antes era um monarca exigente e insensível, passa a enxergar a comida de uma forma diferente, e o que era apenas um sustento se transforma em uma forma de arte. A chef, por sua vez, aprende a valorizar a história e as tradições de seu povo, misturando o antigo com o novo para criar algo único e inesquecível.

Vestuário, Costumes e a Jornada de Adaptação

A série também explora o choque de épocas através de detalhes visuais, como o vestuário. A protagonista, que está acostumada a usar roupas práticas e confortáveis, se vê obrigada a vestir o complexo e elaborado hanbok, o traje tradicional coreano. As cenas em que ela tenta se adaptar a essa nova realidade são hilárias, mas também mostram sua determinação e seu espírito inabalável.

A jornada de Ji Yeong é uma lição sobre adaptação e resiliência. Ela aprende que, para sobreviver em um mundo que não é o seu, ela precisa ser flexível, mas sem perder sua essência. Ela não se rende às tradições, mas as entende e as respeita, usando seus conhecimentos modernos para trazer uma nova perspectiva e um novo sabor à vida no palácio.

“Bon Appétit, Vossa Majestade” é um lembrete de que as diferenças culturais, quando exploradas com sensibilidade e humor, podem ser uma fonte de enriquecimento e de conexão. A série prova que, independentemente da época, a comida e o amor são linguagens universais que têm o poder de unir as pessoas e de transformar vidas.


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